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A indústria de bebidas no Brasil

 

A indústria brasileira de bebidas destaca-se como exemplo de uma indústria tradicional que soube aproveitar bem as oportunidades geradas pelo crescimento econômico brasileiro até 2014 e pela emergência de uma nova classe de consumo no país. Reconhecendo o quadro econômico favorável, as empresas do setor investiram em capacidade produtiva, obtiveram ganhos de produtividade e ampliaram a variedade de produtos ofertados. Como consequência, a produção do setor cresceu proporcionalmente mais do que o produto interno bruto (PIB).

 

Ainda que, nos últimos anos, a produção física tenha acompanhado a desaceleração da dinâmica econômica do país, as empresas líderes do setor sustentam resultados positivos. Além disso, vetores de dinamismo como segmentações de alto valor agregado e a chamada “economia da experiência” abrem novas possibilidades para essa indústria no futuro.

 

Que bebidas movimentam a produção do país?

 

Cervejas e refrigerantes respondem por quase 80% do volume produzido e por cerca de 75% das vendas da indústria de fabricação de bebidas (baseado em dados do IBGE-PIA, em 2017).

 

A produção de cervejas e refrigerantes é concentrada principalmente em grandes companhias, que produzem em larga escala, competem via marca e sustentam as margens de lucro por meio de ganhos de produtividade. Contudo, há um crescente segmento no qual predominam empresas pequenas e médias que enfatizam a diferenciação como forma de competição, oferecendo produtos premium destinados ao público da classe de consumo A.

 

Principalmente no mercado de cervejas, há elevada concentração de empresas no setor, com acirrada rivalidade entre os competidores. Aquisições como a da Brasil Kirin pela Heineken, em fevereiro de 2017, e da SAB Miller pela AB Inbev, ao final de 2016, revelam uma tendência mundial nessa indústria, marcada por fusões, aquisições e licenciamentos de marcas entre as companhias com atuação mundial.

 

Tendências do setor de bebidas

 

A produção da indústria brasileira de bebidas é destinada majoritariamente ao consumo interno, com baixa penetração de importações e coeficientes irrelevantes de exportação. O clima tropical do país e seu contingente populacional, com boa parte de jovens, favorecem o consumo de bebidas geladas, sendo o crescimento da renda das famílias a principal variável a influenciar mudanças nas vendas da indústria.

 

As transformações socioeconômicas ocorridas no Brasil, sobretudo o crescimento com distribuição de renda e a emergência da chamada nova classe média, contribuíram para o bom desempenho apresentado pelo setor de bebidas do país no passado recente. Ainda que esse cenário favorável não se mantenha, a indústria de bebidas conta ainda com oportunidades de crescimento, como a diferenciação dos produtos e a experiência do consumo. As cervejas especiais, as cachaças artesanais e a exploração turística do vinho (enoturismo) são exemplos de possíveis fronteiras de expansão das receitas do setor.

 

Vale destacar que a essência dessas oportunidades está na valorização de atributos intangíveis, como a qualidade dos produtos, a promoção das marcas e o design de embalagens.

 

Este texto foi adaptado do capítulo Bebidas, de autoria de Osmar Cervieri Jr., publicado em Panoramas Setoriais 2030.

 

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