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16:00 03/04/2017

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A importância do capital de risco para inovação

 

O que é capital de risco?

A expressão ‘capital de risco’ é utilizada para fazer referência a aportes de capital (investimentos) para aquisição de participações em empresas não listadas em bolsa de valores, ou seja, que ainda não tenham realizado oferta pública de ações. A participação nessas empresas pode se dar de forma direta ou por meio de fundos de investimento.

 

Tipos de investimento em capital de risco por etapa de desenvolvimento da empresa

Seed capital (capital semente): investimento voltado para empresas de pequeno porte, inclusive pré-operacionais, em geral, com perfil inovador e tecnológico. Neste estágio, normalmente, a empresa já tem um produto definido e conta com alguns clientes, ainda que em caráter experimental. Muitas empresas nesse estágio estão atreladas a aceleradoras, incubadoras ou parques tecnológicos.

Venture capital (capital empreendedor): investimento relacionado a micro, pequenas e médias empresas (MPME) novas, já operacionais e com grande potencial de crescimento estimado. São investimentos destinados a expandir a atuação da empresa e acelerar seu crescimento.

Private equity: investimentos em empresas de grande porte, maduras e consolidadas, em operação a algum tempo e com faturamento significativo. Os fundos que operam nessa modalidade investem, geralmente, por meio de aquisições e fusões das empresas.

 

A importância do capital de risco para as empresas de base tecnológica

O crescimento econômico e a competitividade internacional de um país, em um horizonte de longo prazo, dependem, em grande parte, do fomento à criação de empresas inovadoras e de base tecnológica. A inovação é uma variável essencial na equação do desenvolvimento, sobretudo no que se refere aos mercados e setores intensivos em tecnologia.

Em um cenário de evolução científica acelerada e de surgimento de novas tecnologias disruptivas, encontrar formas de garantir o capital necessário para o desenvolvimento de empresas de base tecnológica é fundamental. O maior desafio é atrair investimentos em empreendimentos e projetos com altos graus de risco e incerteza. Nesse contexto o amadurecimento e a ampliação do mercado de capital de risco se torna estratégico para o Brasil.

 

A indústria  de capital de risco no Brasil

Apesar dos avanços nos últimos anos, a indústria de capital de risco brasileira ainda é limitada, se comparada a mercados com maior tradição e grau de desenvolvimento, como é o caso de Estados Unidos, Israel e Reino Unido. Mesmo que o país apresente hoje um volume de investimentos nessa modalidade superior a outras nações emergentes, em termos percentuais do PIB, o país se encontra muito aquém dos líderes mundiais. Os gráficos abaixo apresentam esse cenário em detalhes.

 

Evolução do capital comprometido no Brasil

gráfico que mostra a evolução do capital comprometido no Brasil entre 1999 e 2014, que reflete o crescimento da indústria de capital de risco no país.

Fonte: Elaboração própria, com base em FGVKPMG e estimativas do BNDES (houve mudança da metodologia de cálculo em 2010).

 

Investimento em capital de risco como % do PIB (2010)

gráfico que mostra, em termos de percentual do PIB, que os investimentos brasileiros em capital de risco ainda estão muito aquém daqueles observados em países com maior tradição.

Fonte: Emerging Markets Private Equity Association (EMPEA).

 

Glossário básico da indústria de capital de risco

Aceleradora: instituição que investe em novas empresas, usualmente em troca de participação societária, com o objetivo de desenvolver o negócio por meio da acelaração do crescimento. Normalmente, oferece às empresas aceleradas, além de recursos financeiros, conhecimentos (mentoria) e redes de relacionamento, que os empreendedores levariam muito tempo para adquirir.

Angel capital (investimento anjo): investimento realizado por pessoas físicas ou grupos de pessoas físicas em empresas nascentes e inovadoras, ainda embrionárias ou mesmo em fase de ideação, que precisam de fundos para investimento principalmente em marketing e desenvolvimento de produto.

Ecossistemas de inovação: conjunto de fatores e agentes que contribuem para a inovação, tais como universidades, investidores de risco, pesquisadores, parques tecnológicos e incubadoras de empresas.

Empreendedor: pessoa dedicada a um empreendimento que envolve riscos e incertezas, quase sempre, com vistas a obter grandes retornos financeiros. O empreendimento, via de regra, envolve o desenvolvimento de um produto ou serviço na tentativa de atender alguma demanda ou necessidade de mercado.

Equity crowdfunding: modalidade que permite o micro-investimento ou investimento coletivo em empresas nascentes e inovadoras com grande potencial de crescimento. Os recursos são aportados por meio de plataformas dedicadas a essa modalidade, que fazem a intermediação entre empresas e investidores.

Funding (captação de recursos para investimento): corresponde à mobilização de recursos de terceiros via mercado de capitais ou mercado bancário com prazo de amortização compatível com o prazo de maturação do investimento que se pretende implantar.

Fundos de investimento de capital de risco: modalidade de investimento que consiste no agrupamento de capital (dinheiro) de terceiros (cotistas) destinado a aportes em empresas com grande potencial de retorno financeiro, por meio de um gestor profissional.

Gestor de fundos de capital de risco: entidade ou profissional que administra fundos de investimento de capital de risco.

Incubadora: instituição dedicada ao suporte inicial para empresas nascentes e inovadoras. Oferecem recursos materiais e intelectuais aos empreendedores para que eles possam transformar ideias em negócios sustentáveis. Em geral, não possuem fins lucrativos e são mantidas por universidades.

Investidores-anjo: pessoas físicas ou grupos de pessoas físicas que investem em empresas nascentes, inovadoras, que ainda necessitam desenvolver seu produto,  modelo de negócio e estratégia de mercado.

IPO (initial public offering): oferta pública de ações de uma empresa ou abertura de capital em bolsa de valores. O capital da empresa passa a ser negociado abertamente no mercado. A partir desse momento, novos investimentos não caracterizam mais o chamado ‘capital empreendedor’, propriamente dito.

Private equity: investimentos em participações societárias de empresas fechadas.

Rodadas de investimento: são momentos em que uma empresa vai ao mercado para levantar capital por meio de investimentos. Distribuem-se por diversos estágios de desenvolvimento do negócio, partindo, em geral, de um primeiro investimento semente, no caso de empresas nascentes e startups, passando por séries de investimentos – em geral, de A a C (ex.: Série A) –, cada uma com características próprias.

Seed capital (capital semente): recursos destinados a investimentos semente, voltados para a execução das atividades necessárias à preparação de um produto para o mercado, como prototipagem e prova de conceito, por exemplo.

Spin-off: empresa que nasce a partir de um grupo de pesquisa de uma empresa, universidade ou centro de pesquisa público ou privado para explorar um novo produto ou serviço de alta tecnologia.

Startup: empresa nascente, usualmente inovadora e com alto potencial de crescimento.

Valuation: estimativa de valor de uma empresa.

 

 

 

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