BNDES aprova R$ 9,9 mi para preservação dos acervos de Herzog e Glauber Rocha

  • Com recursos do BNDES Fundo Cultural, serão digitalizados e restaurados mais de 13 mil itens para divulgação ao público e três filmes praticamente inéditos do cineasta

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou apoio no valor de R$ 9,9 milhões em recursos não reembolsáveis do BNDES Fundo Cultural para o Instituto Vladimir Herzog (IVH) organizar e digitalizar mais de 13 mil itens para acesso ao público e para que a Box Cultural restaure três filmes do cineasta Glauber Rocha.

“O apoio do BNDES à preservação dos itens que integram e resultam das atividades do Instituto Vladimir Herzog contribuem para o fortalecimento de uma cultura de respeito à democracia, que esteve em um passado muito recente sob risco no Brasil, e aos direitos humanos. E com o restauro das obras de Glauber Rocha, o Banco ajuda a difundir e a democratizar o acesso do público à cultura e à história do cinema nacional”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Com apoio de R$ 2 milhões, a Box fará o restauro em 4K RGB sequencial 16 bits (padrão que assegura cópias extremamente fiéis aos negativos originais) de três filmes realizados por Glauber Rocha nas décadas de 1960 e 1970, durante o exílio, obras praticamente inéditas para o grande público: o documentário longa metragem “História do Brasil”, de 1974, e os curtas “Amazonas, Amazonas”, de 1966, e “Di Glauber”, de 1977. 

Após a restauração, os filmes serão exibidos em festivais no Brasil e no exterior, além da exibição na “Mostra BNDES Glauber Rocha”, que ocorrerá na Cinemateca, em São Paulo (SP), que reunirá oito títulos do diretor. Uma cópia dos filmes restaurados será depositada na Cinemateca Brasileira, que já detém a guarda do acervo de Glauber Rocha. O projeto também inclui a produção de minidocumentário sobre o processo de restauro, como forma de dar visibilidade à importância da restauração de obras cinematográficas nacionais, mostrando os desafios técnicos e culturais envolvidos no processo.

Com R$ 7,9 milhões, o IVH vai organizar, catalogar, digitalizar e promover o acesso e a difusão de 13.840 itens de três acervos (Acervo Vladimir Herzog, Acervo Institucional do IVH e Acervo Memórias da Ditadura) que reúnem um conjunto fundamental de documentos para a compreensão da história recente do Brasil (a partir de 1955), especialmente, o período da ditadura civil-militar (1964- 1985). Há 50 anos, em 25 de outubro de 1975, o jornalista Herzog foi assassinado pela ditadura, tornando-se uma personalidade fundamental para o fortalecimento da democracia no Brasil.

Os itens preservados serão traduzidos para inglês e espanhol e disponibilizados na internet, por meio de uma infraestrutura digital específica, com servidores e arquitetura informacional digital, com banco de dados unificado e sistema de catalogação digital unificado (software gerenciador de arquivos). O projeto também prevê a adoção de marcadores sociais de diversidade de raça e gênero na indexação de itens dos acervos.

Instituto Vladimir Herzog – O IVH, entidade sem fins lucrativos, foi fundado em 2009 em São Paulo (SP), por amigos e familiares, em homenagem ao intelectual, jornalista, cineasta, professor e escritor brasileiro que foi torturado até a morte em 1975, após se apresentar voluntariamente no DOI-CODI2 para responder a um interrogatório. Herzog atuou em alguns dos mais importantes órgãos da imprensa brasileira e estrangeira, como o jornal O Estado de S. Paulo, a revista Visão, as TVs Excelsior e Cultura e a BBC, de Londres. 

O Inistituto Vladimir Herzog atua em três frentes principais: Memória (fazer a história do país ser conhecida, principalmente pelos jovens, sobretudo em relação aos reflexos da ditadura nos dias de hoje); Jornalismo (valorizar o jornalismo comprometido com o interesse público, que investiga e denuncia violações de direitos); e Educação (formação dos valores dos cidadãos desde infância para promover uma cultura de respeito à diversidade, ao diálogo e aos direitos humanos).

Glauber Rocha - Baiano e líder do Cinema Novo, o cineasta revolucionou o cinema brasileiro com uma linguagem própria, marcada pela “estética da fome” — expressão da miséria como resistência. Defensor do cinema como instrumento de transformação social, deixou obras-primas como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Terra em Transe” e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, premiado no Festival de Cannes.

Box Cultural - Organização da Sociedade Civil (OSC) com atuação na gestão e produção de projetos culturais. Sem fins lucrativos, a instituição desenvolve ações nas áreas de artes visuais, cênicas, audiovisual, comunicação e educação, com destaque para o contrato de gestão do Cine Brasília .

Foto: Ins

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