Com R$ 912 mi em novas operações do Fundo Clima, BNDES mobiliza R$ 3,1 bi para reflorestamento em diferentes biomas

  • Financiamentos para as empresas Re.green, BTG Pactual, Tree+, Pátria Investimentos e Flona Irati Florestal (Grupo Ibema) combinam restauração ecológica e produtiva, manejo sustentável e sistemas agroflorestais de espécies nativas
  • Projetos preveem a restauração de mais de 86 mil hectares, a geração de milhares de empregos e a captura de milhões de toneladas de CO
  • Com essas cinco novas aprovações, o BNDES conclui a mobilização de R$ 7 bilhões ao setor florestal

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciaram, nesta quarta-feira, 12, durante a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima 2025 (COP30), em Belém, cinco novas operações de crédito do Fundo Clima Florestas voltadas à restauração florestal e a sistemas agroflorestais, que somam mais de R$ 912 milhões em financiamentos. Somados aos recursos da iniciativa privada para execução dos projetos, os novos contratos alavancam investimentos da ordem de R$ 3,1 bilhões em reflorestamento.

Os projetos abrangem ações nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica e reforçam o papel do Fundo Clima como principal instrumento público de financiamento da transição ecológica no Brasil, o qual é gerido por um Comitê Gestor vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e tem o BNDES como operador.

“O Fundo Clima hoje é uma base de alavancar recursos”, afirmou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. “Teríamos apenas R$ 400 milhões, R$ 500 milhões, mas o tempo todo vejo que, em parceria com o Ministério da Fazenda, em parceria com o BNDES, temos uma série de bilhões que nós nunca imaginávamos que teríamos, porque essa semente foi plantada e muito sabiamente o ministro Fernando Haddad (Fazenda) junto com o BNDES e o Aloizio descobriram”.

Os novos contratos foram celebrados com as empresas Re.green, BTG Pactual, Tree+, Pátria Investimentos e Flona Irati Florestal (Grupo Ibema). As iniciativas combinam restauração ecológica e produtiva, manejo sustentável e sistemas agroflorestais com base em espécies nativas, integrando ciência, inovação e impacto social. Juntas, deverão restaurar mais de 86 mil hectares, gerar milhares de empregos e capturar milhões de toneladas de CO₂, fortalecendo o compromisso brasileiro com a agenda de neutralidade climática.

Durante o evento, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, detalhou a atuação do Banco no setor florestal nos últimos dois anos e meio, que já mobilizou R$ 7 bilhões, sendo R$ 5,7 bilhões em crédito e R$ 1,3 bilhão em recursos não reembolsáveis, que equivalem a 280 milhões de árvores plantadas, 73 mil empregos gerados e 54 milhões de toneladas de carbono capturadas. Esses valores reúnem recursos do Fundo Clima Florestas, do Fundo Amazônia e do Fundo Socioambiental do BNDES, além de contrapartidas de empresas, governos e bancos multilaterais parceiros.

“Essas operações mostram que a restauração florestal virou uma agenda econômica concreta no Brasil”, observou Mercadante. ”Estamos combinando crédito competitivo, ciência, inovação e parcerias com o setor privado para gerar emprego, renda e recompor a biodiversidade. O Brasil tem todas as condições de liderar a nova economia da floresta e transformar o Arco do Desmatamento no Arco da Restauração. Com apoio aos negócios de florestas, o BNDES está indo além das ações de comando e controle do desmatamento, contribuindo para a permanência da floresta em pé, desincentivando a volta de atividades ilícitas que promovem a destruição das nossas florestas”.

A Re.green teve aprovado um novo financiamento de R$ 250 milhões para restauração ecológica e silvicultura de espécies nativas em 19 mil hectares distribuídos entre Amazônia e Mata Atlântica. A empresa, que já havia recebido R$ 187 milhões em 2024, soma agora R$ 437 milhões em crédito do Fundo Clima. As iniciativas devem empregar quase 3 mil trabalhadores e evitar a emissão de 1,27 milhão tCO₂e por ano.

Marina assina contrato com Thiago Picolo, CEO da Re.green

Foto: Rúbio Marra/BNDES

O BTG Pactual, por meio da Camapuã Agropecuária Ltda., obteve R$ 200 milhões para proteger e restaurar 49,4 mil hectares no Cerrado, no Mato Grosso do Sul. O projeto contempla duas frentes: a restauração de 24,8 mil hectares de áreas degradadas e a conservação de 24,6 mil hectares de vegetação nativa, com ações de controle de espécies invasoras e prevenção de incêndios. O empreendimento prevê, ainda, a geração de 36 milhões de créditos de carbono e conta com parcerias da Universidade Federal de Viçosa e da Conservação Internacional.

Marina Silva cumprimenta Rafaella Dortas, do BTG

Foto: Rúbio Marra/BNDES

A Tree+, empresa do grupo Lorentzen (criadora da antiga Aracruz Celulose), recebeu R$ 152 milhões para recuperar 15 mil hectares de Mata Atlântica nas regiões Norte e Sul Fluminense, em áreas já afetadas por processos de desertificação. O projeto prevê o plantio exclusivo de espécies nativas, a recomposição de Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal e a formação de corredores ecológicos que fortalecem a conectividade e a biodiversidade local.

Adauta Braga, diretora da Tree+, assina contrato de financiamento

Foto: Rúbio Marra/BNDES

O grupo Ibema, que tem a Suzano entre seus acionistas, teve R$ 110 milhões aprovados para a restauração da Floresta Nacional de Irati, no Paraná - primeira concessão florestal federal do bioma Mata Atlântica estruturada pelo BNDES. O projeto alia a remoção gradual de espécies exóticas, como pinus e eucalipto, ao plantio de nativas em 900 hectares, com manejo sustentável e capacitação de comunidades locais em práticas florestais. A concessão abrange, ainda, a conservação de 3,8 mil hectares e ações de educação ambiental e ecoturismo.

Eric Coelho, gerente financeiro da Ibema, e a ministra Marina observam o presidente do BNDES na assinatura do contrato

Foto: Rúbio Marra/BNDES

A quinta operação, com o grupo Pátria Investimentos, destina R$ 200 milhões à implantação de sistemas agroflorestais (SAFs) em áreas degradadas da Bahia, Espírito Santo e São Paulo, integrando culturas de cacau, café e abacate com espécies nativas da Mata Atlântica. O projeto tem foco em regiões de baixo IDH, como o Vale do Ribeira, e alia produção agrícola, geração de renda e captura de carbono, estimulando o desenvolvimento sustentável de pequenas propriedades e comunidades rurais.

“Essas operações representam o amadurecimento do Fundo Clima como instrumento estratégico da nova economia da restauração”, afirmou Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES. “Estamos consolidando um setor que une investimento produtivo, impacto ambiental e inclusão social, mostrando que o Brasil pode gerar riqueza e prosperidade reconstruindo suas florestas”.

Arco da Restauração –
A iniciativa Arco da Restauração, parceria do BNDES com o MMA, visa recuperar áreas degradadas e criar um cinturão verde de proteção na Amazônia. Desde seu lançamento, já mobilizou R$ 2,43 bilhões, valor anunciado por Mercadante durante a COP30, em Belém — mais que o dobro dos recursos contratados pelo Banco para projetos da iniciativa (R$ 1,165 bilhão).

O balanço foi divulgado em mesa com a ministra Marina Silva e o climatologista Carlos Nobre, integrante do Conselho de Administração do BNDES. O Arco se apoia em um tripé estratégico, com impactos ambientais, sociais e financeiros: recuperação ecológica em larga escala, geração de renda e atração de investimento privado.

A meta é restaurar 6 milhões de hectares até 2030 e 24 milhões até 2050, em uma faixa conhecida como Arco do Desmatamento, que se estende do Maranhão ao Acre. Essa área, equivalente ao tamanho do estado de São Paulo, requer investimentos de dezenas de bilhões de dólares, provenientes de fontes públicas e privadas, nacionais e internacionais.

O BNDES colocou a estratégia em movimento na COP29, realizada em 2024, em Baku (Azerbaijão), destinando R$ 1 bilhão — sendo R$ 450 milhões do Fundo Amazônia e R$ 550 milhões do Fundo Clima — para financiar ações de reflorestamento, manejo sustentável e sistemas agroflorestais. Posteriormente, o Banco ampliou a atuação com recursos do Floresta Viva (R$ 15 milhões) e novas operações de crédito, totalizando R$ 1,165 bilhão em aportes diretos e R$ 1,265 bilhão de parceiros, chegando aos R$ 2,43 bilhões mobilizados.

Com os recursos do Restaura Amazônia, braço não reembolsável do programa, já foram lançados 12 editais entre novembro de 2024 e setembro de 2025, selecionando 45 projetos que contemplam ações de restauração em nove unidades de conservação, 80 assentamentos e 39 terras indígenas. Os editais apoiam iniciativas de reflorestamento e implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em áreas degradadas de comunidades tradicionais, reservas legais e pequenas propriedades rurais.

Além disso, o Fundo Clima tem viabilizado operações de crédito com custo financeiro de 1% ao ano e prazo de até 25 anos, totalizando mais de R$ 700 milhões em apoio a projetos florestais no âmbito do Arco. Somados aos investimentos privados alavancados, os recursos ultrapassam R$ 1,9 bilhão.

Com esses resultados, o Arco da Restauração consolida-se como o maior esforço já realizado no país para reconstruir ecossistemas e gerar uma economia florestal de base sustentável, em convergência com as metas climáticas brasileiras e os compromissos globais assumidos na COP30.

Mercadante, ao lado de Marina e de Beatriz Lutz, da Pátria Investimentos, exibe contrato da operação de crédito

Foto: Rúbio Marra/BNDES

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