Investimentos apoiados com recursos do FAT geraram 10 milhões de empregos
De 1996 a 2017, os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com recursos do FAT Constitucional apoiaram a geração e manutenção de 10,1 milhões de empregos (5,8 milhões diretos e 4,3 milhões indiretos).
Os números foram revelados pelo superintendente da Área de Planejamento Estratégico, Mauricio Neves, durante o seminário “FAT e o Futuro do Trabalho”, realizado na sede do Banco, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 6. O executivo destacou ainda a efetividade dos financiamentos e o aumento da capilaridade geográfica e da participação das empresas de menor porte no crédito: "Nossa atuação é pulverizada: são mais de 100 mil empresas diferentes apoiadas por ano", revelou.
Na abertura do evento, o presidente Dyogo Oliveira citou alguns projetos do Banco em setores estratégicos, nos quais foram aplicados mais de R$ 426 bilhões em mais de 1,4 milhão de empresas.
"O Banco investiu em mais de 20 mil quilômetros de rodovias, ressaltando que a malha rodoviária atual é de 50 mil quilômetros. Todos os aeroportos concedidos foram financiados pelo BNDES, beneficiando 74 milhões de passageiros/ano. Em energia, só no segmento de eólicas, foram produzidos mais de 10 mil megawatts", acrescentou o presidente.
Dyogo destacou ainda números favoráveis ao setor de micro, pequenas e médias empresas. Segundo ele, o Banco saiu de uma média de 20% de desembolso para o segmento, para em torno de 50%. "Essa é apenas uma pequena prestação de contas. E esse é o caminho que devemos continuar seguindo", acrescentou.
"Foram 5,5 milhões de beneficiados com o seguro-desemprego, 22,6 milhões com o abono do PIS-PASEP, 39 milhões de carteiras de trabalho emitidas, entre janeiro e setembro de 2018".
Histórico - Pela manhã, com moderação do ex-diretor do BNDES Isac Zagury Beatriz, ocorreu o painel sobre o histórico e a constituição do FAT, com a participação de Beatriz Azeredo (UFRJ), Francisco Canindé Pegado (Vice-presidente do CODEFAT), Rodolfo Torelly (MTb) e José Roberto Afonso (FGV).
Azeredo, que participou da formulação do FAT, ressaltou que o fundo passou a financiar políticas públicas de geração de emprego e capacitação de mão de obra no final do século 20: "Temos um instrumento único no mundo, uma ferramenta que, pela dimensão financeira, permite um manejo voltado para o mercado de trabalho. Temos 30 anos de história do FAT, e ele pode ajudar a pensar nos próximos 30 anos de desenvolvimento do país", afirmou.
Para José Roberto Afonso, o FAT é um arranjo muito bem desenhado e exitoso, sob as lógicas social ("paga benefício e financia projetos"), econômica ("acumula em tempos de bonança") e fiscal ("gera superávit nos projetos privados e é neutro nos públicos").
"Temos um instrumento único no mundo, uma ferramenta que, pela dimensão financeira, permite um manejo voltado para o mercado de trabalho"
Em sua apresentação, o vice-presidente do Codefat, Francisco Pegado, revelou que, hoje, 24% dos recursos do FAT vão para MPMEs e que 20% dos recursos do fundo alcançam a região Nordeste. "Esse aumento só ocorreu graças à atuação do Codefat. A história se divide entre antes e depois da criação do FAT", afirmou.
Coordenadora geral de emprego e renda do Ministério do Trabalho, Lucilene Santana, apresentou alguns resultados do FAT: "Foram 5,5 milhões de beneficiados com o seguro-desemprego, 22,6 milhões com o abono do PIS-PASEP, 39 milhões de carteiras de trabalho emitidas, entre janeiro e setembro de 2018".
Estima-se que, com os depósitos especiais do FAT, tenham sido gerados 39.195 empregos entre janeiro e agosto de 2018. Segundo ela, o dado foi obtido com base na aplicação do modelo do BNDES, que estima a quantidade de postos de trabalho na economia necessários para viabilizar investimentos.
Impactos da Indústria 4.0 - Painel sobre as características dos novos setores em transformação, moderado pela diretora de Empresas do BNDES, Claudia Prates, contou com a participação de Carlos Américo Pacheco (Fapesp) e Denis Gimenez (Unicamp). Em pauta, as características dos novos empregos e os impactos sobre as políticas para educação de crianças e jovens.
"É um momento disruptivo. Temos que pensar o que será do emprego no Brasil. O esforço de crescimento será acompanhado da necessidade de treinamento da mão-de-obra. Temos que estar preparados para isso", frisou a diretora do BNDES.
Carlos Américo, da Fapesp, ponderou que este cenário afetará praticamente todos os setores. "As grandes empresas brasileiras vão se adaptar ao futuro da indústria e dos serviços 4.0, não como produtoras de tecnologia, mas como consumidoras das soluções tecnológicas”.
Denis Gimenez (Unicamp) afirmou que o impacto da indústria 4.0 sobre o emprego é heterogêneo, dependendo de fatores como país, setor econômico e grau de escolaridade. Ele apresentou estudos que indicam que, em meados de 2030, até 30% dos empregos poderiam ser automatizados em 29 países. O transporte é o setor com mais alto potencial de automação no longo prazo; e no curto prazo, serviços financeiros. Ainda segundo ele, os setores de educação, saúde e serviços sociais têm o menor potencial de automação, que também atinge em menor grau atividades que exigem maior nível de educação formal.
"É um momento disruptivo. Temos que pensar o que será do emprego no Brasil. O esforço de crescimento será acompanhado da necessidade de treinamento da mão-de-obra"
No quarto e último painel, moderado pelo diretor de Governos e Infraestrutura do BNDES, Marcos Ferrari, com a participação de Luís Antônio Tozi (Centro Paula Souza), Naércio Menezes (USP) e Carlos Henrique Corseuil (Ipea), foram debatidas características do novo emprego; políticas para qualificação e requalificação da “nova” mão-de-obra no contexto dos novos setores; e impactos sobre as políticas para educação de crianças e jovens.

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Ferrari lembrou que o papel do FAT é também o de pensar novas políticas públicas para o novo mundo do emprego. Ele destacou números do apoio do Banco com recursos do FAT: 59 concessões rodoviárias, 74 milhões de passageiros/ano nos aeroportos concedidos, 50 mil l/s de tratamento de esgotos, mais de 10 mil MW em energia eólica e cerca de 50% dos desembolsos para MPMEs.
Naércio Menezes, da USP, afirmou que com a evolução da tecnologia, as máquinas serão capazes de desempenhar ações mais complexas e destaca a necessidade de entender quais serão os impactos das vantagens competitivas das máquinas na educação dos humanos. Segundo ele, antes mesmo da tecnologia, o desafio brasileiro é elevar a qualidade da educação.
Foto: André Telles - Divulgação/BNDES