Com apoio do BNDES, vacina da dengue começa a ser aplicada em três cidades

  • Instituto Butantan recebeu quase R$ 130 milhões de recursos não-reembolsáveis do BNDES Funtec ao longo de quase 20 anos de pesquisa para o desenvolvimento da Butantan-DV 
  • Estratégica para plano de vacinação do Ministério da Saúde, imunização em massa de moradores entre 15 e 59 anos de Nova Lima (MG) e Maranguape (CE) começa neste sábado; campanha em Botucatu (SP) inicia domingo

 

A vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, com apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), começa a ser aplicada neste fim de semana em três cidades: Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP). Os municípios terão aplicação em massa do imunizante em todos os moradores de 15 a 59 anos. Essa nova etapa faz parte da estratégia do Ministério da Saúde para saber o percentual de vacinação necessário para a dengue parar de circular no país e produzir evidências técnicas para subsidiar a expansão da estratégia no Brasil.

Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre os três municípios: 80 mil para Botucatu (SP), 60,1 mil para Maranguape (CE) e 64 mil para Nova Lima (MG). O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas cidades e faz parte das 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan. 

A Butantan-DV é uma vacina 100% nacional, tem eficácia geral de 74,7% e de 91,6% para casos graves, além de imunizar contra os quatro tipos do vírus da dengue com uma única dose. Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina tem o potencial de mudar o panorama epidemiológico no país, com redução de atendimentos ambulatoriais, hospitalizações e mortes relacionados a dengue.

Foto: Jose Felipe Batista/Comunicação Instituto Butantan

Foram quase 20 anos de pesquisas, em um processo que exigiu dedicação de diferentes centros de pesquisa brasileiros, que contou ainda com apoio de pesquisadores e instituição estrangeiros. Um marco importante ocorreu ainda em 2008, quando o BNDES aprovou o primeiro financiamento para o Butantan desenvolver imunizantes para doenças chamadas negligenciadas. Foram R$ 32 milhões que também deveriam ser usados nos estudos de vacinas para a dengue, a leishmaniose canina e o rotavírus.

O apoio do BNDES não parou por aí. Em 2017, o BNDES aprovou financiamento de R$ 97,2 milhões para ensaios clínicos e construção de uma planta de escalonamento para fornecimento de doses contra a dengue. No total, a participação do Banco corresponde a 31% dos R$ 305,5 milhões investidos na vacina.

“Desde 2008 o Banco apoia a pesquisa do Instituto Butantan para a vacina da dengue. Sua aplicação no braço de milhares de pessoas é uma vitória da saúde pública brasileira, e a certificação do compromisso do governo do presidente Lula com a ciência e a inovação que salvam vidas. Temos orgulho de ter financiado a implantação do processo de liofilização da vacina, uma etapa essencial para levar o imunizante a lugares mais longínquos sem a necessidade de uma cadeia de frios, o que encarece o processo”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Pelo menos desde a década de 1980 o país sofre com epidemias de dengue. Os primeiros casos foram registrados em Roraima e depois dispararam. Em 2008, quando o Banco aprovou o primeiro financiamento para a vacina contra dengue, os casos já tinham ultrapassado a marca de 1 milhão – e continuaram crescendo. A doença se espalhou pelo Brasil e encerrou 2025 com mais de 1,6 milhão de casos prováveis.

Na prática, a vacina contra a dengue combate a arbovirose mais frequente no mundo e dá um alívio ao sistema de saúde brasileiro, evitando que milhares de pessoas precisem procurar o SUS por causa da doença. O apoio do BNDES ao imunizante ainda abre caminho para o desenvolvimento da indústria farmacêutica brasileira, um dos pilares da Nova Indústria Brasil. A transferência tecnológica ao Butantan garante a fabricação em larga escala no país e fortalece a autonomia sanitária brasileira, fundamental em momentos críticos.

Estratégia de vacinação - Com a chegada de mais doses da Butantan DV, a imunização de profissionais da Atenção Primária à Saúde está prevista para o início de fevereiro, segundo o Ministério da Saúde. Cerca de 1,1 milhão de doses serão destinadas a profissionais que atuam na linha de frente do SUS, como médicos, enfermeiros e agentes comunitários, assim que esse volume estiver disponível.  

A estratégia nacional, com vacinação do público geral, será implementada conforme a disponibilidade de doses. Por meio da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o país, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos. A expectativa é de ampliação da produção em até 30 vezes. 

BNDES Funtec – Os recursos aplicados pelo BNDES no desenvolvimento da vacina da dengue são do Fundo Tecnológico (Funtec), que oferece apoio não-reembolsável a projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação em áreas de interesse nacional. Criado em 2006, o Funtec é voltado para o financiamento de investimentos em áreas consideradas de fronteira tecnológica, com foco em pesquisas de medicamentos para o que os especialistas chamam de doenças negligenciadas, como a dengue,  fármacos obtidos por biotecnologia avançada, além de apoiar energia renovável, sobretudo etanol, softwares e semicondutores.

Foto: Rafael Nascimento/MS

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