BNDES vai reduzir taxas para ampliar acesso de mulheres ao crédito em cooperativas

  • Com o Procapcred Mulher, o BNDES busca reduzir desigualdade no acesso ao crédito e ampliar a participação feminina no fortalecimento do cooperativismo financeiro no país.
  • Medida foi anunciada no evento do Banco pelo Dia Internacional da Mulher e começará a operar em abril.
  • Crédito com recursos do BNDES para instituições cooperativas soma R$ 99,5 bi entre 2023 e 2025

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira (12), durante evento em celebração ao Dia Internacional da Mulher, a criação do BNDES Procapcred Mulher, nova modalidade de financiamento que oferecerá taxas mais baixas e prazos maiores para mulheres cooperadas, com o objetivo de ampliar o acesso feminino ao crédito.

A iniciativa passa a operar a partir de abril e integra o Programa BNDES Procapcred, linha voltada ao fortalecimento das cooperativas de crédito e bancos cooperativos por meio do financiamento. Hoje, cerca de um terço das operações do programa são contratadas por mulheres (27% das operações de Pessoa Física), proporção que o Banco pretende ampliar com as novas condições.

“O estímulo ao cooperativismo é prioridade para nós. As mulheres já são quase metade das associadas nas cooperativas, mas ainda têm participação menor nas operações de financiamento. O Procapcred Mulher nasce para mudar essa realidade e ampliar o protagonismo feminino na economia”, afirmou o presidente do Banco, Aloizio Mercadante.

Taxas menores e prazos maiores – A nova modalidade prevê redução do spread do BNDES nas operações contratadas por mulheres. A remuneração básica do Banco passará de 0,85% ao ano para 0,50% ao ano para cooperadas das regiões Norte e Nordeste e cairá de 1,25% ao ano para 0,85% ao ano para cooperadas das demais regiões.

Além da redução de taxas, o programa também prevê ampliação do prazo de financiamento para até 15 anos para mulheres em todas as regiões do país, com carência de até dois anos, o que pode reduzir o valor das parcelas e ampliar a capacidade de acesso ao crédito.

Segundo a diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho, a mudança busca tornar o financiamento mais acessível e ampliar a presença feminina no cooperativismo financeiro.

“O cooperativismo de crédito é uma ferramenta poderosa de inclusão financeira e desenvolvimento regional. Com condições mais favoráveis para mulheres, queremos estimular mais empreendedoras e trabalhadoras a acessar crédito, fortalecer suas cooperativas e ampliar suas oportunidades de geração de renda”, disse.

Foto: Jaqueline Machado/BNDES

Expansão do Procapcred – O lançamento do Procapcred Mulher ocorrerá em um momento de forte expansão do programa. Desde sua incorporação ao portfólio do BNDES, em 2015, o Procapcred já aprovou mais de R$ 4,3 bilhões em financiamentos, em mais de 313 mil operações em todo o país.

A partir de 2023, o programa passou por mudanças para ampliar o acesso ao crédito, incluindo aumento da dotação orçamentária, melhoria das condições financeiras e ampliação do público elegível.

Entre as mudanças, o limite de financiamento por cliente foi ampliado de R$ 30 mil para até R$ 100 mil, e as condições de prazo e custo foram aprimoradas, com foco especialmente nos cooperados das regiões Norte e Nordeste.

Em dezembro de 2025, o BNDES também aprovou a transformação do Procapcred em linha permanente, com dotação adicional de R$ 400 milhões.

Cooperativismo em crescimento – O volume de crédito com recursos do BNDES repassados por bancos cooperativos e cooperativas de crédito alcançou R$ 99,5 bilhões entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025. O montante é 159,49% maior que os repasses feitos pelo Banco entre 2019 e 2022, quando o valor foi de R$ 38,3 bilhões.

Nos últimos três anos, o crédito aprovado pelas instituições cooperativas para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) cresceu 155%, alcançando R$ 97,5 bilhões. Entre 2019 e 2022, o montante aprovado foi de R$ 38,2 bilhões.

O cooperativismo brasileiro reúne mais de 25,8 milhões de cooperados em 4.384 cooperativas, gera mais de 578 mil empregos diretos e movimenta cerca de R$ 757,9 bilhões na economia, segundo dados do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras).

Nas cooperativas de crédito, que contam com cerca de 20 milhões de associados, as mulheres representam aproximadamente 44,5% das pessoas físicas cooperadas.

Pacto contra Feminicídio – Durante o evento, o BNDES assinou uma carta de compromisso com o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, reafirmando seu compromisso institucional com a promoção da igualdade de gênero e com o enfrentamento da violência contra as mulheres.

Entre os compromissos assumidos estão a incorporação da perspectiva de gênero na formulação e execução de políticas e instrumentos financeiros do Banco, o estímulo a práticas organizacionais mais diversas e inclusivas no setor público e privado e a priorização de investimentos voltados à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Avanços do BNDES na agenda de gênero – O evento também apresentou um balanço das ações do Banco na agenda de igualdade de gênero.

Entre 2022 e 2025, a presença feminina na alta liderança do BNDES passou de 13% para 40%, enquanto na média liderança subiu de 19% para 34%.

“Nos últimos anos, o BNDES avançou de forma consistente na promoção da igualdade de gênero, tanto nas políticas internas quanto nos programas de apoio do banco. Ampliamos a presença feminina na liderança, fortalecemos políticas de cuidado para nossas funcionárias e terceirizadas e estamos ampliando o apoio a iniciativas lideradas por mulheres em diferentes áreas, do empreendedorismo à inovação”, afirmou a diretora de Pessoas, Helena Tenório.

O Banco também implementou novas políticas internas relacionadas ao cuidado, como trabalho integralmente remoto para mães de bebês prematuros e ampliação do abono de aleitamento para até dois anos.

Outras iniciativas incluem critérios afirmativos em contratações e ampliação do apoio a projetos liderados por mulheres. No BNDES Garagem 2024, 61% das startups apoiadas são lideradas por mulheres, e no BNDES Microcrédito, em 2025, mulheres receberam 60% dos recursos destinados a pessoas físicas.

Outros anúncios – Nesta quinta-feira, o Banco também lançou o BNDES Mulheres em Segurança, de apoio a estados e municípios; e as Chamadas BNDES Periferias Mulheres Empreendedoras e BNDES Periferias Cuidados, para apoiar empreendedoras e iniciativas da economia do cuidado em favelas e comunidades urbanas, com orçamento de até 80 milhões.

O BNDES Mulheres em Segurança é uma nova frente de financiamento para apoiar estados e municípios no enfrentamento à violência contra as mulheres, ampliando o acesso de governos locais a recursos para investimentos em prevenção, proteção, investigação e garantia de direitos. A iniciativa permitirá que estados e municípios invistam na modernização da rede de atendimento e na ampliação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência.

Os projetos poderão abranger diferentes etapas da política pública de proteção às mulheres, abrangendo ações preventivas, de assistência e combate à violência e acesso e garantia de direitos, tais como investimentos em delegacias especializadas; implantação de Casas da Mulher Brasileira; fortalecimento da Patrulha Maria da Penha; criação de abrigos para mulheres em risco; ampliação do monitoramento urbano; Pontos quentes de iluminação pública; programas de qualificação profissional e geração de renda e outros. O financiamento poderá alcançar até 90% do valor do projeto, com prazo total de até 24 anos.

Já a iniciativa BNDES Periferias Mulheres Empreendedoras financiará projetos de apoio a negócios liderados por mulheres nas periferias. Podem apresentar propostas organizações da sociedade civil e instituições sem fins lucrativos que desenvolvam programas de capacitação e apoio ao empreendedorismo feminino nesses territórios. Os projetos devem atender exclusivamente empreendimentos de mulheres periféricas ou ser apresentados por organizações cuja gestão seja majoritariamente feminina. As iniciativas apoiadas podem incluir formação profissional, capacitação em gestão, mentorias, acesso a redes de mercado e capital semente, além de ações voltadas ao fortalecimento de empreendimentos coletivos e cadeias produtivas locais.

Na outra frente da chamada, BNDES Periferias Cuidados, os projetos apresentados por instituições sem fins lucrativos deverão apoiar negócios coletivos ou individuais que prestem serviços de cuidado social ou que fortaleçam as próprias pessoas que exercem essas atividades. Entre os serviços que poderão ser apoiados estão cuidado domiciliar a crianças, idosos ou pessoas com deficiência; centros de convivência e centros-dia; cuidotecas, residências inclusivas, casas-lares e abrigos institucionais; além de serviços comunitários de apoio ao cuidado, como lavanderias coletivas e cozinhas comunitárias.

Foto: Jaqueline Machado/BNDES

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