BNDES tem lucro recorrente de R$ 11,2 bi até setembro, alta de 14,2%

  • Aprovações de crédito expressivas e aumento de 237% nas garantias viabiliza injeção de R$ 230 bilhões na economia entre janeiro e setembro de 2025

  • Desembolsos têm alta de 17% em comparação aos nove meses de 2024

  • Ativos totais superam R$ 900 bilhões, crescimento de mais de 32% nesta gestão

  • Com R$ 616 bilhões, carteira de crédito cresce 12% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado e atingiu o maior valor nos últimos nove anos

    Entre janeiro e setembro de 2025, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro recorrente de R$ 11,2 bilhões, crescimento de 14,2% sobre o mesmo período de 2024. A carteira de crédito expandida alcançou saldo de R$ 616 bilhões em 30 de setembro (5,3% acima de dezembro de 2024), maior valor nos últimos nove anos.

    Os números de desempenho operacional e financeiro foram divulgados nesta sexta-feira, 14, em entrevista coletiva de imprensa pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante, ao lado dos diretores Alexandre Abreu (Financeiro e Mercado de Capitais), Helena Tenório (Pessoas, TI e Operações) e Luiz Navarro (Risco e Compliance), na sede do Banco, no Rio.

    "O lucro líquido recorrente que diz respeito às atividades de crédito do BNDES. E é um crescimento muito expressivo para essa conjuntura. Então, já temos aí alguma desaceleração em alguns setores de economia, uma taxa de juros muito elevada e ainda o impacto do tarifaço que também gerou uma certa insegurança, uma certa instabilidade no mercado. E mesmo assim cresceu 14%. É um resultado extraordinário para todas essas condições", explicou Mercadante.

    "Tivemos uma inflexão no lucro líquido, essa pequena queda é matemática. Foi a redução de 53% dos dividendos da Petrobras. Nós perdemos em relação ao período anterior R$ 1,9 bilhão. É isso que explica", disse o presidente do BNDES.

    O resultado operacional do Banco também mantém o desempenho expressivo ano após ano desde 2023, com destaque para o aumento no apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), totalizando R$ 155,1 bilhões (R$ 91,3 bilhões em garantias e R$ 63,7 bilhões em crédito), alta de 68% sobre 2024 e de 223% sobre 2022. O aumento expressivo das aprovações e de operações garantidas, de 237% em 2025, impulsionou a economia em R$ 230,5 bilhões.


    MPMEs

     

    Os desembolsos do BNDES atingiram R$ 101,9 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2024, o que preserva o movimento de crescimento da carteira expandida. Foi observado aumento de 50% dos desembolsos na indústria (R$ 27,3 bilhões). Na agropecuária e no setor de comércio e serviços, os desembolsos somaram respectivamente R$ 24,9 bilhões (+19%) e R$ 19,0 bilhões (+ 12%). Em infraestrutura, os desembolsos de R$ 30,6 bilhões permaneceram no patamar de 2024.

     

    Desembolsos_setoriais


    As aprovações de novas operações de crédito se mantiveram estáveis, somando R$ 139,2 bilhões (alta de 111% sobre 2022), com destaque para o setor de comércio e serviços, com R$ 27,4 bilhões (alta de 8% sobre 2024 e de 145% sobre 2022), seguido da indústria, com R$ 38 bilhões (alta de 3% sobre 2024 e de 280% sobre 2022) e agropecuária, de R$ 35,9 bilhões (crescimento de 3% frente a 2024 e de 56% sobre 2022). Pelo segundo ano consecutivo, as aprovações de crédito para a indústria superaram as aprovações para a agropecuária. Os créditos à infraestrutura totalizaram R$ 38 bilhões (redução de 10% sobre 2024 e alta de 81%).


    Aprovações_setoriais


    O volume de consultas atingiu R$ 266,5 bilhões, corresponde ndo ao aumento de 3% em relação aos nove primeiros meses de 2024.

    A solidez da carteira de crédito do BNDES é evidenciada pela inadimplência de 0,008% (90 dias), que permanece expressivamente inferior à do Sistema Financeiro Nacional (3,90% geral e 0,40% para grandes empresas em setembro de 2025).

Foto: Jaqueline Machado/BNDES

Ativos – Os ativos totais cresceram mais de 32% na atual gestão, aumento de R$ 222 bilhões, sobretudo na carteira de crédito, cujo aumento foi de R$ 137 bilhões. Cabe destacar, ainda, o rendimento de R$ 49,4 bilhões da carteira de participações societárias desde 2022.

Os ativos do Sistema BNDES em 30 de setembro de 2025 somaram R$ 905,8 bilhões, aumento de R$ 64,9 bilhões (7,7%) em relação a dezembro de 2024, especialmente pelo crescimento de R$ 35,6 bilhões da Tesouraria e de R$ 30,9 bilhões da carteira de crédito expandida.


AtivosA carteira de crédito expandida, representada pelos financiamentos de créditos, repasses, debêntures e outros ativos de concessão de crédito, preservou o ritmo de crescimento, com saldo de R$ 615,9 bilhões em 30 de setembro de 2025 (5,3% acima de dezembro de 2024), maior valor nos últimos 9 anos, influenciado por operações de debêntures e apropriação de juros e atualização monetária da carteira de operações de crédito e repasses interfinanceiros.

Carteira_de_crédito


Desde janeiro de 2023, a carteira de participações societárias variou R$ 20,9 bilhões, foram vendidos R$ 4,8 bilhões e recebidos R$ 23,7 bilhões de proventos, totalizando R$ 49,4 bilhões de rendimento.  A carteira atingiu R$ 83,6 bilhões, aumento de 1,8% em relação à posição de dezembro 2024 pela valorização de investimentos em empresas não coligadas e alienações de ações. As principais empresas investidas em termos de carteira total continuam sendo Petrobras, JBS, Eletrobras e COPEL.

Equity - Mercadante também falou sobre os novos investimentos em inovação e descarbonização da BNDESPAR, após dez anos sem realizar investimentos diretos em renda variável: "Estamos saindo de um setor tradicional que é a pecuária, que é um setor consolidado com empresas que são líderes globais. Acho que o BNDES cumpriu o seu papel histórico e eles deram uma rentabilidade muito importante. E agora o BNDES está investindo em setores de inovação e de descarbonização. É o nosso papel histórico como o banco de desenvolvimento, como o banco público que tem que buscar e olhar o futuro. Então nós saímos da pecuária, por exemplo, para investir em equity no EVE, que é o carro voador da Embraer. É uma empresa que está sendo construída. E outro investimento, de menor a monta, é uma empresa nós queremos aprofundar esse caminho de bioeconomia. São soluções baseadas na natureza para substituir insumos, que contribui para descarbonização da economia", comentou.

Foto: Jaqueline Machado/BNDES

Fontes de recursos – O saldo do FAT em 30 de setembro de 2025 era de R$ 469 bilhões, representando a parcela mais significativa da estrutura de funding do BNDES (51,8% dos passivos totais da instituição).  O aumento de R$ 21 bilhões (4,7%) com relação ao saldo em 31 de dezembro de 2024 é oriundo, principalmente, de apropriação de juros e ingresso de novos recursos.

O saldo da dívida com o Tesouro Nacional totalizou R$ 38,3 bilhões em 30 de setembro de 2025. A redução de 5,1% decorre, principalmente, das amortizações ordinárias de principal e juros.

No terceiro trimestre de 2025, o BNDES recebeu R$ 11,9 bilhões direcionados para o Plano Brasil Soberano, programa emergencial criado com recursos oriundos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para apoiar empresas exportadoras com faturamento impactado pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos, visando manter a atividade econômica, preservar empregos e promover a adaptação produtiva. Entre janeiro e setembro desse ano, houve ainda o ingresso de R$ 10,9 bilhões do Fundo Nacional de Mudanças sobre o Clima - FNMC, destinados ao financiamento de projetos que visem à mitigação e adaptação à mudança do clima e aos seus efeitos, e de R$ 5,5 bilhões do Fundo do Rio Doce - FRDC, recursos voltados para projetos e ações compensatórias coletivas de natureza socioeconômica e socioambiental que visem reparar os danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em novembro de 2015 no município de Mariana - MG.

"O fator fundamental foi o impacto do tarifaço que deu uma certa insegurança em relação a investimentos que estavam sendo encaminhados, aguardando a evolução das negociações. O Brasil Soberano amenizou um pouco. E nós estamos tomando novas medidas para acelerar o crédito para as empresas atingidas. Mas seguramente o tarifaço teve impacto nas decisões de investimento", disse Mercadante.

Injeção_de_crédito


O saldo de captações internas foi de R$ 28,8 bilhões em 30 de setembro de 2025, aumento de 99,7% em relação a dezembro de 2024. Houve captação de R$ 10 bilhões por meio da emissão de Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCD) e de R$ 3,4 bilhões por meio de Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), valores líquidos das amortizações no período.

Nos nove primeiros meses de 2025 foram contratados empréstimos com instituições multilaterais, sendo R$ 4,9 bilhões com o CDB - China Development Bank, R$ 1,3 bilhão junto ao BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, R$ 1,1 bilhão junto à CAF - Corporação Andina de Fomento, R$ 1,1 bilhão junto ao ICO – Instituto de Crédito Oficial e R$ 421 milhões junto à AFD - Agência Francesa de Desenvolvimento, parcialmente atenuados pelos efeitos de variação cambial e de amortização de principal e juros, perfazendo o total de captações externas de R$ 37,3 bilhões.

O BNDES segue comprometido em ampliar as fontes de recursos para diversificar o funding, reduzir o custo de captação e reforçar sua competitividade. Mercadante destacou as captações de recursos recém-anunciadas na COP30, em Belém: "Nós captamos na COP30 agora R$ 21 bilhões. É muito expressivo. São vários parceiros, todos bancos de desenvolvimento, portanto, em condições muito favorecidas. Isso nos permite ter uma trajetória muito promissora para 2026. Especialmente com o Fundo Clima que é um instrumento muito importante para seguir o caminho da de impulsionar a economia verde, a descarbonização e enfrentar a crise do clima", afirmou.

Patrimônio líquido – O Patrimônio Líquido de R$ 168,5 bilhões em 30 de setembro de 2025 registrou aumento de R$ 10,1 bilhões (7%) frente ao saldo de dezembro de 2024. O lucro líquido de R$ 17,2 bilhões, agregado ao ajuste de avaliação patrimonial de R$ 1,7 bilhão, foi atenuado pela destinação de R$ 8,8 bilhões como dividendos complementares relativos ao exercício de 2024.

Indice de Basileia – O Índice de Basileia atingiu 25,8% em 30 de setembro de 2025 ante 28,2% em 31 de dezembro de 2024, permanecendo com índices de capital sólidos e situação confortável com relação ao limite mínimo regulatório de 10,5% exigido pelo Banco Central. A variação decorre, principalmente, dos aumentos dos ativos, trajetória esperada dado o aumento das operações do Banco, além de regras regulatórias e das sucessivas distribuições de dividendos complementares.

"O índice de Basileia é de 25,8%. Quando eu comparo com o ano passado, ele tem uma queda. Só que nós temos ainda o índice de Basileia muito acima do mínimo regulatório. E essa queda é normal. A medida que eu vou crescendo o ativo, a medida que eu vou pagando dividendo, diminui o índice de Basileia. E também o Banco Central vem aumentando os percentuais sobre regulatórios bancários, o que diminui o índice para todo o mercado. Mas ela continua muito acima do o mínimo regulatório que é de 10,8%", explicou o diretor Financeiro e de Mercado de Capitais, Alexandre Abreu.

Para acessar as demonstrações financeiras completas do BNDES e suas subsidiárias, acesse o Portal de Relações com Investidores.

Produtividade dos empregados - Outro ponto destacado na entrevista foi a alta produtividade dos empregados do BNDES ante o twerceiro maior lucro do sistema financeiro nacional obtido no período: "O resultado relativo por funcionário chega a ser 42 vezes mais do que o 'banco C'. É uma coisa extraordinária a produtividade dos trabalhadores. Mesmo em relação ao banco que teve o melhor resultado, o trabalhador do BNDES contribui 17 vezes mais para o seu resultado. Isso aqui é bom para discutir sobre eficiência do setor público e o papel do servidor público no Brasil", provocou Mercadante.

"O BNDES é um banco de desenvolvimento que não tem produtos de varejo e ainda assim ele consegue uma eficiência comparável com os maiores bancos brasileiros. E quando eu olho esse mesmo resultado dividido por funcionário, aí o BNDES é imbatível, é o primeiro lugar disparado. Nos primeiros nove meses do ano, tivemos um resultado de R$ 6,21 milhões por funcionário", completou o diretor Alexandre Abreu.

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