BNDES e ABDE lançam observatório do crédito no Brasil
- Plataforma reunirá informações sobre a oferta de crédito direcionado no país e seus efeitos na economia e no desenvolvimento
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) anunciam, nesta quarta-feira, 1º, em Brasília (DF), a criação do Observatório do Crédito para o Desenvolvimento (OCD). A iniciativa tem como finalidade reunir e tornar públicos os dados referentes aos recursos destinados ao crédito direcionado no país, permitindo a análise dos impactos na economia e no desenvolvimento, e a elaboração de políticas públicas.
O crédito direcionado, segundo o Banco Central, são operações de crédito regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ou vinculadas a recursos orçamentários destinados, basicamente, à produção e ao investimento de médio e longo prazos aos setores imobiliário, rural e de infraestrutura. As fontes de recursos são oriundas de parcelas das captações de depósitos à vista e de caderneta de poupança, além de fundos e programas públicos.
Criado a partir de convênio entre BNDES e ABDE, o Observatório será um centro de excelência em dados e análises sobre o crédito direcionado no Brasil, centralizando em uma plataforma única a análise da qualidade e dos impactos socioeconômicos dos recursos direcionados. A iniciativa busca prover uma infraestrutura de inteligência capaz de agregar, compreender, avaliar e monitorar sistematicamente o papel do crédito direcionado, transformando e agregando dados complexos em subsídios estratégicos para o fortalecimento das políticas públicas, valorização do papel dos recursos direcionados e o desenvolvimento da sociedade brasileira.
“Com o Observatório, será possível monitorar a eficácia e avaliar impactos importantes do crédito, como a geração de emprego e renda, e até mesmo a redução nas emissões de gases de efeito estufa. Além disso, vai promover o debate técnico-científico de alto nível fundamentado em dados”, explica o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa.
"Não se trata de mais um repositório de informações. O Observatório estruturará indicadores padronizados e metodologias de avaliação capazes de mensurar efeitos econômicos, sociais e ambientais - monitorando a eficiência do crédito, analisando impactos sobre geração de emprego e renda, e apoiando a tomada de decisão por formuladores de políticas e órgãos reguladores. É inteligência aplicada ao serviço do desenvolvimento", afirma a presidente da ABDE, Maria Fernanda Coelho.
Presidente da ABDE, Maria Fernanda Coelho
Foto: Rubio Marra / BNDES
O Observatório contará com financiamento do BNDES nos primeiros 12 meses, e prevê a participação de outras instituições do Sistema Nacional de Fomento (SNF), garantindo sua sustentabilidade de longo prazo. A plataforma será criada no primeiro ano, a partir da parceria entre a ABDE e uma instituição de ensino superior a ser definida, que dará apoio técnico-científico para a curadoria de dados e o desenvolvimento de metodologias capazes de homogeneizar informações e gerar análises de impacto. O OCD vai atuar a exemplo de plataformas semelhantes que existem no país e que são, principalmente, focadas em gasto público e política fiscal.
Com o OCD, estarão disponíveis, de forma transparente, informações que vão ilustrar o papel fundamental do crédito direcionado no país no financiamento de setores estratégicos, como infraestrutura, habitação e agronegócio.
A ABDE vai acolher o Observatório, garantindo a participação de outros bancos públicos. A governança será exercida por um comitê executivo, formado inicialmente por dois representantes do BNDES e da ABDE, responsável pelo direcionamento estratégico, avaliação e aprovação dos produtos nesse primeiro ano.
O Observatório terá uma agenda robusta de produção e divulgação de conhecimento, incluindo artigos técnicos e científicos; relatórios periódicos; whitepapers temáticos; publicações acadêmicas; um relatório anual consolidando os resultados. Além disso, serão realizados eventos presenciais e online, como seminários e workshops, para ampliar o debate sobre o papel do crédito no desenvolvimento.
A formalização da parceria está prevista para maio de 2026, com início das atividades técnicas nos meses seguintes. As primeiras publicações devem ser divulgadas ainda em 2026.
Foto: Getty Images