BNDES adere ao Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio e amplia agenda de igualdade de gênero
- Banco assina carta de compromisso para incorporar perspectiva de gênero em políticas, programas e instrumentos financeiros.
- Presença feminina na alta liderança do BNDES cresce de 13% para 40% entre 2022 e 2025.
- Instituição amplia políticas internas de cuidado, adota critérios afirmativos em contratações e fortalece apoio a iniciativas lideradas por mulheres.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou hoje, 12 de março, no Rio de Janeiro (RJ), uma carta de compromisso com o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, reafirmando o compromisso institucional do banco com a promoção da igualdade de gênero e o enfrentamento da violência contra as mulheres. A assinatura ocorreu durante evento realizado no BNDES em celebração ao Dia Internacional da Mulher.
A carta estabelece diretrizes para incorporar a perspectiva de gênero na formulação, execução e monitoramento de políticas, programas e instrumentos financeiros e não financeiros do banco, com foco na ampliação de oportunidades para mulheres e na redução de vulnerabilidades.
O documento também prevê que o BNDES atue como indutor de mudanças no setor público e privado, utilizando sua capacidade de financiamento e influência institucional para estimular práticas organizacionais mais diversas, equitativas e inclusivas. Entre os compromissos assumidos está ainda a priorização de investimentos voltados à prevenção e ao enfrentamento da violência contra as mulheres, fortalecendo serviços, estruturas e políticas públicas em estados e municípios.
“Com a adesão ao pacto, o banco reforça seu papel como instituição pública estratégica na articulação de políticas e iniciativas voltadas à redução das desigualdades e à proteção dos direitos das mulheres”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Foto: André Telles/BNDES
Diretrizes e compromissos – Entre os principais compromissos assumidos pelo banco estão incorporar a perspectiva de gênero nas políticas e instrumentos do BNDES, estimular práticas organizacionais mais diversas e inclusivas no setor público e privado, apoiar iniciativas voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra as mulheres e fortalecer mecanismos de transparência, monitoramento e prestação de contas sobre resultados institucionais relacionados à diversidade e inclusão.
A adesão ao pacto também reforça o alinhamento do banco com políticas públicas nacionais voltadas à promoção da igualdade de gênero e à proteção das mulheres.
“Enfrentar a violência contra as mulheres exige uma atuação integrada do Estado e da sociedade. Ao aderir ao Pacto Brasil de Enfrentamento do Feminicídio, o BNDES reafirma seu compromisso de utilizar seus instrumentos de financiamento e fomento para fortalecer políticas públicas, ampliar oportunidades econômicas para as mulheres e reduzir desigualdades que estão na raiz de muitas situações de violência”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
Avanços institucionais – A carta destaca avanços recentes do BNDES na agenda de diversidade, equidade e inclusão. Entre 2022 e 2025, a presença feminina na alta liderança do banco passou de 13% para 40%, enquanto na média liderança aumentou de 19% para 34%.
O banco também inovou em políticas internas de cuidado, com medidas como a possibilidade de trabalho integralmente remoto para mães de bebês prematuros e a ampliação do abono de aleitamento para até dois anos, iniciativas que fortalecem uma cultura organizacional mais inclusiva e compatível com as demandas de cuidado.
“Nos últimos anos, o BNDES avançou de forma consistente na promoção da igualdade de gênero, tanto nas políticas internas quanto nos programas de apoio do banco. Ampliamos a presença feminina na liderança, fortalecemos políticas de cuidado para nossas funcionárias e terceirizadas e adotamos iniciativas que ampliam a diversidade também na cadeia de valor da instituição”, afirmou a diretora de Pessoas, TI e Operações do BNDES, Helena Tenório.
Esses avanços foram reconhecidos por iniciativas externas, como o Selo Mais Mulheres na Liderança, concedido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), e o primeiro lugar no Prêmio Melhores Empresas e Líderes da Diversidade de 2025.
O BNDES também ampliou sua participação em iniciativas nacionais voltadas à promoção da diversidade e da equidade, como o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça, coordenado pelo Ministério das Mulheres; a adesão ao Pacto pela Diversidade nas Empresas Estatais, coordenado pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST); e a adesão ao Pacto pela Igualdade Racial, coordenado pelo Ministério da Igualdade Racial.
A instituição também passou a integrar o Movimento pela Equidade Racial (MOVER) e a Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, ampliando a articulação com o setor privado na promoção de práticas inclusivas.
Recentemente, o banco aprovou ainda a Política Corporativa de Prevenção e Enfrentamento à Discriminação e ao Assédio, marco institucional que sistematiza e fortalece ações voltadas à promoção de um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e saudável.
Diversidade na cadeia de valor – Os avanços institucionais também alcançam a cadeia de valor do banco. O BNDES realizou sua primeira licitação com critérios afirmativos, estabelecendo que a empresa vencedora deveria contar com 40% de mulheres e 40% de pessoas negras em sua equipe.
Além disso, a revisão da Política de Equidade e Valorização da Diversidade passou a incluir diretrizes específicas para a inclusão social e econômica de trabalhadores terceirizados, ampliando o alcance das políticas de diversidade da instituição.
Apoio a iniciativas lideradas por mulheres – A carta também registra avanços na promoção da participação feminina em programas e iniciativas apoiados pelo banco. Nos últimos anos, o BNDES tem ampliado a presença de mulheres tanto no acesso a financiamento quanto em iniciativas de inovação, empreendedorismo e inclusão produtiva.
No programa BNDES Garagem, por exemplo, 61% das startups apoiadas são lideradas por mulheres. Já no BNDES Microcrédito, em 2025, mulheres receberam 60% dos recursos destinados a pessoas físicas, ampliando o acesso ao crédito produtivo e fortalecendo iniciativas empreendedoras lideradas por mulheres em diferentes regiões do país.
Além disso, na destinação de recursos não reembolsáveis, parcela do resultado do banco aplicada em iniciativas de impacto socioambiental e cultural, o BNDES tem adotado diretrizes para ampliar a participação feminina entre os projetos apoiados. Nas seleções públicas, a presença de mulheres entre os beneficiários ou na liderança das iniciativas é considerada um fator de diferenciação e pontuação.
Pelas iniciativas BNDES Periferias, às quais foram destinados mais de R$ 100 milhões, e pelo Programa Cataforte, o banco está apoiando mais de 6 mil mulheres em 85 favelas e comunidades urbanas, promovendo geração de renda, fortalecimento de empreendimentos coletivos e lideranças femininas em territórios vulneráveis.
A agenda socioambiental do banco também tem incorporado a dimensão de gênero. Em 2023, o BNDES retomou as atividades do Fundo Amazônia, priorizando a participação feminina em editais e chamadas públicas. Com a iniciativa, os projetos apoiados pelo fundo deverão beneficiar mais de 165 mil mulheres, com destaque para mulheres indígenas, quilombolas e agricultoras familiares.
Novas iniciativas lançadas pelo Dia Internacional da Mulher - Durante o evento realizado para marcar Dia Internacional da Mulher, o BNDES também anunciou novas iniciativas voltadas à promoção da autonomia econômica feminina e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
Entre elas está a criação da linha BNDES Mulheres em Segurança, que amplia o acesso de estados e municípios a financiamento para investimentos em prevenção, proteção e investigação de crimes de violência de gênero, incluindo modernização de delegacias especializadas, implantação de Casas da Mulher Brasileira, fortalecimento da Patrulha Maria da Penha e criação de abrigos para mulheres em risco.
O banco também lançou a chamada BNDES Periferias Mulheres, iniciativa que apoiará projetos voltados ao fortalecimento do empreendedorismo feminino (BNDES Periferias Mulheres Empreendedoras) e da economia do cuidado em favelas e comunidades urbanas (BNDES Periferias Cuidados). Com orçamento de até R$ 80 milhões, a chamada permitirá apoiar iniciativas de capacitação profissional, formação em gestão, mentorias, acesso a redes de mercado e capital semente para negócios liderados por mulheres, além de projetos ligados à economia do cuidado, como serviços comunitários de apoio a crianças, idosos e pessoas com deficiência.
Outra iniciativa anunciada foi o Procapcred Mulher, linha de crédito estruturada a partir do BNDES Procapcred com condições financeiras diferenciadas para mulheres cooperadas. A nova modalidade prevê redução do spread do BNDES nas operações contratadas por mulheres. A remuneração básica do Banco passará de 0,85% ao ano para 0,50% ao ano para cooperadas das regiões Norte e Nordeste e cairá de 1,25% ao ano para 0,85% ao ano para cooperadas das demais regiões. Além da redução de taxas, o programa também prevê ampliação do prazo de financiamento para até 15 anos para mulheres em todas as regiões do país, com carência de até dois anos.