BNDES Periferias anuncia apoio de até R$ 80 milhões para mulheres empreendedoras e iniciativas de cuidado

  • Anúncio foi feito durante evento em celebração ao Dia Internacional da Mulher, que também marcou a assinatura de compromisso do BNDES com o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio
  • Banco também apresentou balanço de avanços institucionais na promoção da igualdade de gênero, incluindo ampliação da presença feminina na liderança e novas iniciativas para a economia do cuidado

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou hoje, 12 de março, no Rio de Janeiro (RJ), uma nova chamada pública do BNDES Periferias voltada exclusivamente para mulheres. Com orçamento de até R$ 80 milhões, a iniciativa BNDES Periferias Mulheres tem duas frentes de atuação:  Empreendedoras e Cuidados, que oferecem apoio a projetos que promovam geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento de empreendimentos relacionados a redes de cuidado em favelas e comunidades urbanas.

O anúncio foi feito durante evento no Banco em celebração ao Dia Internacional da Mulher, que também marcou a assinatura de carta de compromisso do BNDES com o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio.

“O empreendedorismo feminino e a economia do cuidado são duas agendas centrais para reduzir desigualdades no Brasil. Ao apoiar mulheres nas periferias, o BNDES está ajudando a transformar iniciativas que muitas vezes nascem da necessidade em negócios sustentáveis, geradores de renda e desenvolvimento local. Ao mesmo tempo, fortalecer serviços de cuidado significa criar trabalho, ampliar a autonomia econômica das mulheres e melhorar a qualidade de vida nas comunidades”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Fortalecimento da economia do cuidado – Na frente BNDES Periferias Cuidado vai apoiar iniciativas da economia do cuidado nas periferias urbanas. Organizações da sociedade civil devem apresentar projetos que apoiem negócios coletivos ou individuais que ofereçam serviços de cuidado ou que fortaleçam as próprias pessoas que exercem essas atividades. Os serviços de cuidado incluem assistência a pessoas que não conseguem realizar sozinhas atividades básicas ou instrumentais da vida diária, como alimentação, higiene, mobilidade e organização da rotina.

Entre os serviços que poderão ser apoiados, voltados à geração de emprego e renda, estão: cuidado domiciliar a crianças, idosos ou pessoas com deficiência; centros de convivência e centros-dia; cuidotecas; serviços comunitários de apoio ao cuidado indireto, como lavanderias coletivas e cozinhas solidárias; e iniciativas de acolhimento, escuta e orientação para cuidadores.

Os recursos poderão financiar diferentes tipos de investimento, incluindo capacitação em gestão, formação técnica em cuidados, mentorias e capital semente para negócios locais. No caso de negócios coletivos, também será possível apoiar implantação de polos de cuidado, com investimentos em obras, equipamentos e infraestrutura necessários para o funcionamento desses serviços.

A chamada também prevê articulação com políticas públicas, especialmente com a Política Nacional de Cuidados e o Plano Nacional de Cuidados e incentiva parcerias com entes subnacionais que aderiram ao Plano Nacional de Cuidados – Brasil que Cuida.

“O BNDES considera que o fortalecimento da economia do cuidado contribui simultaneamente para geração de trabalho e renda nas periferias e redução das desigualdades de gênero, raça e renda, já que as tarefas de cuidado ainda recaem majoritariamente sobre as mulheres, em especial as negras e com menores rendimentos”, afirmou a diretora Socioambiental, Tereza Campello.

 

Foto: Jaqueline Machado/BNDES

Apoio a empreendedoras periféricas – Na Edição Mulheres, a frente BNDES Periferias Empreendedoras financiará projetos que apoiem exclusivamente a jornada empreendedora de mulheres ou projetos apresentados por instituição cuja gestão seja majoritariamente feminina, em ambos os casos desde que localizados em favelas e comunidades urbanas. A chamada prevê a participação de organizações da sociedade civil, e instituições que desenvolvam programas de apoio ao empreendedorismo feminino nesses territórios.

As propostas que o BNDES apoiará poderão incluir formação profissional, capacitação em gestão e capacitação em temas socioemocionais, com a inclusão de tópicos relacionados a protagonismo feminino, gênero e violência contra a mulher, além de mentorias, e acesso capital semente.

 A iniciativa responde a desigualdades persistentes no mercado de trabalho. No Brasil, a taxa de participação feminina na força de trabalho é de cerca de 53%, enquanto a masculina supera 73%, segundo dados do IBGE (PNAD Contínua). Esse cenário contribui para que muitas recorram ao empreendedorismo como alternativa de geração de renda.

Pacto contra Feminicídio – Durante o evento, o BNDES assinou uma carta de compromisso com o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, reafirmando seu compromisso institucional com a promoção da igualdade de gênero e com o enfrentamento da violência contra as mulheres.

Entre os compromissos assumidos estão a incorporação da perspectiva de gênero na formulação e execução de políticas e instrumentos financeiros do Banco, o estímulo a práticas organizacionais mais diversas e inclusivas no setor público e privado e a priorização de investimentos voltados à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Avanços do BNDES na agenda de gênero – O evento também apresentou um balanço das ações do Banco na agenda de igualdade de gênero.

Entre 2022 e 2025, a presença feminina na alta liderança do BNDES passou de 13% para 40%, enquanto na média liderança subiu de 19% para 34%.

“Nos últimos anos, o BNDES avançou de forma consistente na promoção da igualdade de gênero, tanto nas políticas internas quanto nos programas de apoio do banco. Ampliamos a presença feminina na liderança, fortalecemos políticas de cuidado para nossas funcionárias e terceirizadas e estamos ampliando o apoio a iniciativas lideradas por mulheres em diferentes áreas, do empreendedorismo à inovação”, afirmou a diretora de Pessoas, Helena Tenório.

O Banco também implementou novas políticas internas relacionadas ao cuidado, como trabalho integralmente remoto para mães de bebês prematuros e ampliação do abono de aleitamento para até dois anos.

Outras iniciativas incluem critérios afirmativos em contratações e ampliação do apoio a projetos liderados por mulheres. No BNDES Garagem 2024, 61% das startups apoiadas são lideradas por mulheres, e no BNDES Microcrédito, em 2025, mulheres receberam 60% dos recursos destinados a pessoas físicas.

Outros anúncios – Nesta quinta-feira, o Banco também lançou o BNDES Mulheres em Segurança, de apoio a estados e municípios; e o BNDES Procapcred Mulher, que oferecerá taxas mais baixas e prazos maiores para mulheres cooperadas, com o objetivo de ampliar o acesso feminino ao crédito.

O BNDES Mulheres em Segurança é uma nova frente de financiamento para apoiar estados e municípios no enfrentamento à violência contra as mulheres, ampliando o acesso de governos locais a recursos para investimentos em prevenção, proteção, investigação e garantia de direitos. A iniciativa permitirá que estados e municípios invistam na modernização da rede de atendimento e na ampliação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência.

Os projetos poderão abranger diferentes etapas da política pública de proteção às mulheres, abrangendo ações preventivas, de assistência e combate à violência e acesso e garantia de direitos, tais como investimentos em delegacias especializadas; implantação de Casas da Mulher Brasileira; fortalecimento da Patrulha Maria da Penha; criação de abrigos para mulheres em risco; ampliação do monitoramento urbano; Pontos quentes de iluminação pública; programas de qualificação profissional e geração de renda e outros. O financiamento poderá alcançar até 90% do valor do projeto, com prazo total de até 24 anos.

Já o BNDES Procapcred Mulher será uma modalidade de financiamento que oferecerá taxas mais baixas e prazos maiores para mulheres cooperadas, com o objetivo de ampliar o acesso feminino ao crédito. A iniciativa passa a operar a partir de abril e integra o Programa BNDES Procapcred, linha voltada ao fortalecimento das cooperativas de crédito e bancos cooperativos por meio do financiamento.  A nova modalidade prevê redução do spread do BNDES nas operações contratadas por mulheres. A remuneração básica do Banco passará de 0,85% ao ano para 0,50% ao ano para cooperadas das regiões Norte e Nordeste e cairá de 1,25% ao ano para 0,85% ao ano para cooperadas das demais regiões.

 Além da redução de taxas, o programa também prevê ampliação do prazo de financiamento para até 15 anos para mulheres em todas as regiões do país, com carência de até dois anos. “Com condições mais favoráveis para mulheres, queremos estimular mais empreendedoras e trabalhadoras a acessar crédito, fortalecer suas cooperativas e ampliar suas oportunidades de geração de renda”, disse a diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho.

Foto: Jaqueline Machado/BNDES

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